sexta-feira, 3 de agosto de 2012

À Beira de Água

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Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração
magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor. Até o nosso,
tão feito de privação.) Estou onde
sempre estive: à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.




 In: Eugénio de Andrade. Os Sulcos da Sede. Quasi, 5ª Edição, 2007, p. 51.

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