domingo, 15 de julho de 2012

CIDADES DO RN - Lajes Pintadas

compartilhar A lenda no riacho dos desenhos rupestres
REGIÃO AGRESTE

Matriz de São Francisco no centro de Lajes Pintadas.

Localizado na Região do Traíri, o município de Lajes Pintadas está a 135 quilômetros de distância de Natal, onde uma população urbana e rural abriga, aproximadamente, 5.300 pessoas habitando numa área serrana de clima agradável. Desmembrada do município de Santa Cruz, a cidade de Lajes Pintadas foi criada em 31 de dezembro de 1958.

De acordo com Câmara Cascudo, no livro “Nomes da Terra”, o riacho das Lajes Pintadas, afluente dos Rios Inharé e Traíri, tem esse nome por suas águas banharem algumas pedras com escrituras rupestres na localidade, desenhos deixados por antigos moradores daquelas serras. Mas, conforme a historiografia local, as lajes foram explodidas pelos proprietários da terra para abrir estradas. Os pedaços de rocha foram usados como paralelepípedos. Uma perda cultural e histórica imensurável, sentida por todos os moradores e estudiosos.

No seu livro, o Mestre Cascudo diz que o antigo proprietário das Lajes Pintadas, João Francisco Borges, reunia os moradores rurais para promover cultos religiosos a São Francisco de Assis, em torno do quadro do santo que trouxera do sertão do Canindé, no Ceará. A Capela de São Francisco foi construída em 1935, pelos irmãos Eduardo e Elias Borges. “O quadrinho com o primitivo São Francisco, trazido do Canindé, ainda existe na Igreja São Francisco”, revela Cascudo.

A religiosidade sempre foi uma constante em Lajes Pintadas, fazendo com que o Padre Benjamim Sampaio, na época vigário de Santa Cruz, agraciasse a comunidade com uma imagem de São Francisco vinda do Orago, no Rio de Janeiro. Durante a procissão de São Francisco, sempre realizada no dia 4 de outubro, é comum ver adultos, jovens e crianças vestidas de marrom, com os pés descalços como franciscanos, pagando promessas por graças alcançadas. Casamentos, batizados e crismas também são realizados durante as festividades em homenagem ao Santo.

A criatividade impulsiona a economia da cidade
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Açude da cidade contribui para a economia com a pesca e ajuda o abastecimento de água em tempos de seca.

Lajes Pintadas tem sua atividade econômica voltada para a agricultura familiar, a pecuária e o serviço público. O artesanato lasjespintadense tem como base o sisal para confecção de tapetes e ornamentos domésticos e a pedra sabão, usada para esculturas e peças de acabamento na construção civil.

Os artesões locais, através da Associação dos Artesões de Lajes Pintadas, têm suas obras vendidas para a capital do Estado e alguns países da Europa, como Itália, Espanha e Portugal.

A cidade ainda possui um grande potencial em mineração, uma reserva econômica que já está sendo explorada. A região de serras é rica em minérios como água marinha, feldspato, quartzo rosa, berilo, tantalita, mica, entre outras pedras. Hoje, com o incentivo da Prefeitura na mineração, é empregado mais de 60 pais de família.

Teatro e cultura popular
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Peça teatral no adro da antiga capela de São Francisco demonstra a devoção no santo e mostra o talento teatral dos filhos de Lajes Pintadas.
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Resgatando a cultura popular e mantendo a tradição religiosa, a administração municipal incentivou a criação do “Auto de São Francisco”, um espetáculo teatral ao ar livre, envolvendo somente moradores do município na produção e na dramaturgia. Todo ano, o Auto de São Francisco é apresentado nos dias 4 e 5 de outubro, durante as comemorações da festa do padroeiro, atraindo um grande público.

Aliando as tradições religiosas, um povo acolhedor e a boa vontade do executivo municipal, Lajes Pintadas vem se despontando como uma cidade que se desenvolve rápido, criando melhores oportunidades de vida para esse povo sertanejo. O espetáculo teatral Auto de São Francisco é um exemplo vivo, uma das formas que os lajespintadenses têm para conquistar sua própria identidade cultural, contando a história do Santo e dos desenhos rupestres que viraram lenda.
Riacho onde havia as escrituras rupestres que davam nome a cidadee foi explodida pelo priprietário que vendeu como paralelepípedo.



fonte: chão potiguar

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